Prefeitura desconhece o problema da população de rua

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O ataque realizado por um morador em situação de rua, na Lagoa Rodrigo de Freitas, que resultou na morte de duas pessoas, abriu mais uma grave fenda social em nossa cidade. O debate está instalado. 

Mas quem são as pessoas que vivem nos espaços públicos do Rio? Quantos são? Lamentavelmente, não há respostas para essas questões básicas para qualquer ação ou política pública. Como estabelecer, por exemplo, políticas de acolhimento e de abrigo, se não se sabe nem para quantos?

Enquanto a população de rua cresce a olhos vistos, o prefeito Crivella minimiza a questão, divulgando números duvidosos. O último balanço, de março de 2018, registrava 4.628 pessoas em situação de rua, em um inacreditável encolhimento de 67% em relação a 2016, quando foram identificadas 14.279 pessoas. Já o Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública afirma que são 15 mil.

Menos ainda se sabe sobre o perfil dessa população, que inclui desiludidos, mas também trabalhadoras e trabalhadores que dormem nas ruas para economizar o dinheiro da passagem. Há migrantes e imigrantes, há portadores de problemas psiquiátricos e dependentes de drogas lícitas e ilícitas; há idosos e idosas abandonados pelas famílias; há crianças e mulheres fugidas da violência doméstica; há desempregados. Há de tudo; o fator comum é que a imensa maioria é extremamente pobre. E, como nas demais esferas da sociedade, também há bandidos e pessoas de caráter duvidoso.

Alheio, Crivella segue com uma política de recolhimento, que nada resolve e, muitas vezes, lesa direitos, como quando joga ao lixo os pertences das pessoas, incluindo cobertores nas noites de frio. Também segue esvaziando os recursos da Assistência Social – já cortou 30%, neste ano, além dos R$ 106 milhões de redução, em 2017 e 2018. A rede municipal de acolhimento e abrigo segue com apenas oito unidades e 1.060 vagas. 

Essa precarização só agrava o problema.

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