Samba por uma cidade melhor

Sambistas debatem a repressão e a proibição das rodas públicas e a inesperada reação de alguns donos de casas noturnas da Lapa contra o samba nas praças.

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O direito à cidade foi o ponto central da participação de Reimont na roda de conversa “O samba não quer atravessar ninguém”, organizada por músicos, compositores e sambistas, na Praça Tiradentes, no último dia 14/12. O objetivo do encontro foi reagir às crescentes repressão e proibição enfrentadas por rodas de samba públicas da cidade e também debater a inesperada reação de donos de casas noturnas da Lapa, que se manifestaram contra as manifestações culturais nas praças da área, responsabilizando as rodas pela crise no comércio.

A mesa também foi formada por Marcelo Correia e Lula Mattos, do grupo Galocantô; o cantor Rodrigo Carvalho, o Biro; a cavaquinista Yasmin Alves; a cantora Simone Lial; os sambistas Wanderson Luna e Marcelo Santos, da Rede Carioca de Rodas de Samba; o cantor e compositor Nego Álvaro, do Samba do Trabalhador; o também compositor e cantor Ernesto Pires e pela vice-presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, Deborah Cheyne.

“O samba agrega e emprega. Quando a praça está ocupada pela música, pelo samba, pela poesia, o crime se afasta” – Vanessa

Na linha do manifesto publicado pelo SindMusi, Deborah ressaltou que a conjuntura político-econômica é que gera a crise e esta é que tem provocado o esvaziamento e até o fechamento de algumas casas noturnas.

Em sua fala, Reimont destacou o retrocesso histórico da atual criminalização do samba, repetindo o que ocorria no século passado. Ele defendeu a democratização dos espaços públicos, que pertencem a todas as pessoas.

No debate, o cantor e compositor Eduardo Familião falou sobre a importância das rodas públicas na movimentação de uma economia forte, voltada para o mercado cultural. Essa economia inclui, por exemplo, feiras de artesanato e de culinária, como acontece na Praça Tiradentes, ponto de encontro dos grupos Festa da Raça e Pé de Teresa. Marcelo Correia também destacou a movimentação dessa economia criativa em torno do samba e defendeu que as rodas são vetores culturais essenciais para a cidade.

A jovem sambista Vanessa abordou outro ponto importante na defesa das rodas, a segurança. “O samba agrega e emprega. Quando a praça está ocupada pela música, pelo samba, pela poesia, o crime se afasta”, lembrou.

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