Uma história de ataque aos mais pobres

A história das remoções, no Rio, mostram que esses processos prejudicam os mais pobres, em benefício das empresas de construção e do mercado imobiliário.

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O primeiro grande despejo de pessoas, no Rio, aconteceu em 1808, com a vinda da família real portuguesa. Para abrigar os nobres, 10 mil casas foram desocupadas – os moradores tiveram que sair às pressas, sem direitos. Naquele velho período colonial, as casas escolhidas foram as melhores. Mas, depois disso, todos os processos de remoções prejudicaram só os mais pobres, em benefício das empresas de construção e do mercado imobiliário.

Foi o que fez Pereira Passos, prefeito em 1904, que, para realizar a grande reforma do Centro, demoliu três mil casas, despejando umas 20 mil pessoas, que foram procurar morada nos morros do Centro (Providência, Santo Antônio e outros) e nos subúrbios.

A grande onda de remoções aconteceu de 1963 a 75, quando mais de 175 mil pessoas foram tiradas de suas casas; só o governo Carlos Lacerda removeu 30 mil. Foi o período de “desfavelização” da Zona Sul. Estranhamente, algumas das favelas da área sofreram “misteriosos” incêndios pouco antes dos despejos.

Mas o campeão pessoal é, sem dúvida, Eduardo Paes, que, em apenas três anos, desabrigou 70 mil pessoas, a maior parte na Vila Autódromo. O resultado é que o Rio passou por forte especulação imobiliária, com aumento do preço dos aluguéis e de compra e venda de imóveis.

Hoje, quando o país, o estado e a cidade vivem a maior crise econômica da história, com crescimento acelerado da população em situação de rua, muitas comunidades pobres ou de baixa renda do Rio estão sob ameaça de remoção pelos governos federal, estadual e municipal – além das citadas por Reimont no editorial, estão em risco a comunidade pesqueira de Tubiacanga, a vila da Estrada dos Maracajás, a comunidade Rádio Sonda, a vila dos moradores tradicionais do Horto e as 5 mil famílias de agricultores familiares que moram e protegem o Parque Estadual da Pedra Branca.

Em defesa ao direito à moradia, nosso mandato dia NÃO à remoção.

 

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