A face mais violenta do golpe

Reimont relata os violentos ataques sofridos pelas milhares pessoas que foram às manifestações contra a cassação dos direitos da classe trabalhadora.

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Ontem, 28 de abril de 2017, o dia começou lindo. Estávamos nas ruas, conversando com trabalhadores e trabalhadoras, seja no corpo a corpo ou em aulas públicas, sobre a Greve Geral e as covardes reformas do golpista despresidente. Estávamos nos aquecendo para a manifestação que aconteceria no final da tarde.

No meio do dia, uma dessas aulas públicas, que fizemos no Largo da Carioca, reuniu espontaneamente uma roda de um rico debate. Tudo ia muito bem.

Mas chegou o momento das grandes concentrações populares e, com ele, também a covardia. Na Alerj, muito tiro de borracha e muito gás de pimenta atordoou e surpreendeu a multidão. Corremos, saímos dali, e, ainda assim, nos deslocamos para lotar a Cinelândia, em nova manifestação pacífica, bonita e de todos os perfis.

Tinha de criança a idoso mandando um recado para o desgoverno de que não aceitamos as reformas que atacam os direitos dos trabalhadores.

Mas, logo no início do ato, começa novamente a tirania. Nunca vi tanto despreparo e tanta bomba desde a época da redemocratização. Lembro-me bem da repressão na ditadura e achei que não mais veria coisa semelhante. Ontem, no entanto, foi um dia de rememorar. Tiros a esmo disparados contra todos e qualquer um. Na correria, com olhos e rosto ardendo pelo gás, ainda consegui recolher restos do arsenal bélico que atingiu pessoas e patrimônio público, como o histórico Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atingido por cerca de 20 bombas da PM.

Lá estávamos lutando pelos direitos de todos os trabalhadores, inclusive dos que nos agrediam, por nós e pelos que nos sucederão. Mas quiseram nos dizer que é em vão a nossa resistência. Não sabem que nunca foi e nunca será em vão a resistência do povo. Continuaremos nas ruas e resistindo a este governo que não tem legitimidade e que não conhece a realidade do povo brasileiro.

Um pretenso militante de esquerda ironicamente ao me ver envolvido no leite de magnésia para tolerar os gases de pimenta e lacrimogêneo, sorriu e me disse: bem vindo à luta vereador. Até parece que um dia estive fora dela!

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