A luta nos levará à vitória

Neste artigo, publicado no site O Cafezinho, Reimont fala sobre perspectivas da militância e da luta contra o golpe neoliberal, fazendo uma alegoria com o Carnaval carioca.

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É preciso afirmar, com urgência, que estamos na luta e que ela nos levará à vitória. Também é preciso compreender que a vitória não é estática ou acabada e, sim, uma conquista que se faz a cada dia, a cada pequeno passo.

Entendo que, em meio ao avanço das forças golpistas e reacionárias na perseguição ao presidente Lula e ao PT, alguns podem enxergar um afunilamento das possibilidades de luta e de resistência. Sei que, em alguns momentos, isso pode gerar desânimo, desalento, sufoco. Ou alimentar precipitações, voluntarismos. Caminho em outra direção.

Para escapar do sufoco, é preciso esperança; eu preciso das pequenas lutas, mesmo as que nem presencio, mas que existem. Eu preciso confiar na luta do povo simples, que canta “irá chegar um novo dia, um novo céu, uma nova terra e um novo mar, e neste dia, os oprimidos, numa só voz, a liberdade irão cantar”. Tudo isso tem eco em mim, como sei que tem eco nos homens e mulheres que lutam por um mundo de justiça, não a das togas seletivas e dos privilégios, mas a justiça caminhante, que cuida do povo e preferencialmente do mais desvalido.

Acredito que, se há afunilamentos, também se abrem novos espaços. Aumenta a percepção do golpe, cresce o apoio a Lula, diminui o prestígio popular do Judiciário, muito em função da perseguição ao ex-presidente, decresce a credibilidade da imprensa hegemônica, notadamente das Organizações Globo.

O Carnaval de 2018 foi um escoadouro desse turbilhão de sentimentos e compreensões. Seja nos blocos, seja nas escolas de samba, essa explosão foi palpável; o nome de Lula na boca do povo. A censura imposta pela Globo na passagem da escola de samba Paraíso do Tuiuti, escancarou para milhões de pessoas a parcialidade da emissora. Tenho certeza de que o Carnaval de 2018 representou um ponto importante nessa marcha da História, que ainda não conseguimos perceber em toda a sua dimensão.

Hoje, quando olhamos para o Rio de Janeiro e sabemos da ausência do prefeito ou quando vemos o governador descaradamente virar as costas para os problemas do estado ou o (des)presidente da República achincalhar com a vida do povo, pisoteá-lo e colocar-se ao lado dos poderosos que ajuntam tesouro em cima de tesouro, não podemos esquecer da Paraíso do Tuiuti ou da Mangueira com as suas contundentes e artísticas críticas. Não temos o direito de nos sufocar, pois é isso que eles querem.

Lá, nas comunidades, o povo é sábio e sabe esperar, e constrói a esperança como verbo – Eu esperanço… nós esperançamos. O povo tem o pé na luta, tem fé e pé na caminhada. Mesmo com uma vida sempre permeada de mecanismos de não-vida, ele canta, dança, luta, trabalha, se diverte, chora e ri. Ele “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

A Paraíso do Tuiuti está na História para sempre. Ressuscitou, com seu canto, sua dança e o seu gingado, os 18 milhões de africanos tomados como escravos para serem escravizados no Brasil. Desses, 6 milhões morreram ainda no território africano, outros 6 milhões morreram na travessia e 6 milhões desembarcaram no Brasil. Mais de 2 milhões chegaram ao Rio. Todos renasceram neste carnaval.

A Paraíso do Tuiuti foi para a Sapucaí cantando uma lição de História, mostrando, sem pedir licença, porque escravizaram os negros, mas não se tornaram seus senhores. Palmares foi prova disso. Os resistentes quilombos modernos são prova disso. A política da igualdade racial não foi um benefício do governo de Lula, mas uma conquista do povo negro, que encontrou nele, um nordestino franzino/gigante, o apoio e o reconhecimento. O povo negro não permitirá o retrocesso em definitivo.

O que precisamos é encontrar o caminho para falar ao povo, como a Paraíso do Tuiuti (Inferno da Globo, dos Racistas e de Temer) falou na avenida. Talvez ainda nos falte a eloquência e o jeito, mas haveremos de encontrá-los.

Por isso, não podemos sufocar. Quando nos disserem “Lula acabou”, “o PT não tem mais jeito”, “a Política não presta”, não podemos aceitar. Tem muita água para passar por debaixo da ponte dessa História. Só perderemos a batalha, se cruzarmos os braços, nos ajoelharmos e abaixarmos a cabeça. E isso não vai acontecer. Tenho certeza do protagonismo do Partido dos Trabalhadores na luta de classes no Brasil.

Marcharemos firmes e, se nos atacarem, a resistência brotará do chão de nossa luta. Não sou, neste momento, nem otimista e nem pessimista, sou um lutador alinhado com uma multidão. Venceremos!

O Samba nos ensina.

Vem pode chegar

Que a rua é nossa, mas é por direito

Vem vadiar por opção,

Derrubar esse portão,

Resgatar nosso respeito.”

Samba-enredo da Mangueira, de Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal.

 

Não sou escravo de nenhum senhor

Meu Paraíso é meu bastião

Meu Tuiuti, o quilombo da favela,

É sentinela da libertação

Samba-enredo da Paraíso do Tuiuti, de Claudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal

#Reimont

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