Censura nunca mais

A censura, um dos principais instrumentos dos sistemas autoritários. elimina o debate de ideias e a pluralidade de pensamentos. E, infelizmente, ela já está em nosso cotidiano.

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A juíza federal Laura Bastos Carvalho derrubou, no último dia 07/10, a portaria do ministro da Cidadania, Osmar Terra, que cancelou um edital de produções audiovisuais para as TVs públicas, depois que o presidente Bolsonaro atacou a existência das categorias “diversidade de gênero” e “sexualidade”. A decisão é um alento em um cenário de tantos vetos e restrições a filmes, exposições, livros, apostilas escolares, pinturas, palestras, músicas e até a camisetas de times de futebol. Segundo o site Observatório da Censura à Arte, já foram mais de 15 casos, apenas no segundo semestre de 2019.

A CENSURA é um dos principais instrumentos dos sistemas autoritários. É como um olheiro que vigia cada pessoa todo o tempo, controlando informações, aprendizado e conhecimento. Elimina o debate de ideias e a pluralidade de pensamentos, impõe a ideologia única do estado sobre o direito de cidadãos e cidadãs. E ela já está em nosso cotidiano.

A Caixa Econômica, por exemplo, determinou que todos os projetos com a chancela da empresa devem ter aprovação prévia da Superintendência da casa e da Secretaria de Comunicação do governo, comandada pelo olavista Fabio Wajngarten.  Os funcionários são forçados a preencher uma ficha de avaliação, que estabelece, no campo “Polêmicas”, que sejam verificados “possíveis riscos contra as regras dos espaços culturais, manifestações contra a Caixa e contra governo e quaisquer outros pontos que podem impactar”. Outros campos de análise são: “Histórico do artista nas redes sociais e na internet e participação em outros projetos” e “Histórico do produtor nas redes sociais e na internet”.

A denúncia sobre a Caixa é gravíssima e revela que o governo Bolsonaro criou uma rede de espiões virtuais, obrigando servidores públicos a vigiar cidadãos e cidadãs! Segundo trabalhadores da Caixa, são fortes o clima de tensão e o medo de demissão.

A censura também é exercida pela via econômica e pela via da ofensa pessoal. Neste ano, em que o cinema brasileiro mostra extremo vigor, com vários prêmios internacionais e recordes de bilheteria, o governo Bolsonaro deu mais uma demonstração de sua aversão à Cultura ao cortar 43% das verbas do Fundo Nacional para o Audiovisual.

No campo da ofensa, nada mais emblemático do que o comportamento pernicioso do diretor de uma instituição que leva a Arte no nome, que veio a publico atacar e xingar uma das maiores artistas brasileiras, a atriz Fernanda Montenegro.  A resposta teve as naturais elegância e firmeza de Fernanda, durante o lançamento do seu livro ‘Prólogo, ato, epílogo’, em São Paulo: “Nenhum sistema vai nos calar. Estamos unidos aqui, hoje, em torno da liberdade de expressão”, afirmou a artista, de 90 anos. A censura tem muitas caras e desculpas, todas insustentáveis. Alguns dizem que é para proteger a família, como se tivéssemos nos tornado incapazes dependentes da tutela do governo para definir os nossos caminhos. É o projeto do obscurantismo. Contra ele, nos levantamos, em solidariedade a artistas, produtores e todos os fazedores da Cultura e da Arte brasileiras. Censura, nunca mais!

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