Coração do narcotráfico não está nas favelas

A partir das informações levantadas pela Campanha da Fraternidade de 2018, Reimont analisa as primeiras ações da intervenção federal no Rio de Janeiro e o combate ao narcotráfico.

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No debate sobre Segurança Pública, mobilizado pela intervenção militar em nosso estado, é fundamental incluir a contribuição dos textos da Campanha da Fraternidade 2018 “Fraternidade e superação da violência”, que dedica um capítulo ao tema “Violência e Narcotráfico”.

Nesse momento em que o projeto de intervenção se configura como mais uma ação de cerco às favelas do município carioca, o material da campanha demonstra o extremo erro e a extrema injustiça dessa estratégia, que criminaliza e vitima os mais pobres.

Como registra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio da Campanha, “o combate às drogas tornou-se uma ação articulada por vários países utilizando-se de uma estratégia de guerra, camuflada de política de segurança pública, junto com outras políticas de criminalização de pobres, negros e usuários, resultando na ocultação e proteção daqueles que produzem e distribuem as drogas, ou seja, os barões desse comércio internacional” (CF. nº 110, p. 37).

“O narcotráfico movimenta mais de 400 bilhões de dólares por ano, sendo um dos setores mais lucrativos da economia mundial. A guerra às drogas criminaliza o pequeno varejista e o usuário e favorece os grandes empresários de drogas e o sistema financeiro internacional. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), em 2008, cerca de 352 bilhões de dólares do comércio de drogas foi absorvido pelo sistema bancário do planeta.” – (CF. nº 107. p.37)

Esses números também ressaltam a importância das Forças Armadas e dos órgãos federais no combate ao narcotráfico, mas não como braços policiais a invadirem favelas e comunidades, em intervenções de objetivos não muito claros. O papel dessas instituições, dentro de uma política verdadeiramente séria de Segurança Pública, está na identificação e repressão aos grandes empresários da droga e seus cúmplices do tráfico de armas, controle das rotas de distribuição de narcóticos e armamentos, formulação de políticas de controle de danos para usuários.

O coração do narcotráfico não está nas favelas.

#reimont

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