Enchentes: Crivella tem culpa?

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No dia 8 de abril, mais uma vez, o Rio sofreu (como ainda sofre) as consequências de uma brutal tempestade, que carregou vidas, sonhos, moradias, economias familiares, planos, deixando a população atônita, sem saber o rumo que tomar. Foi o terceiro temporal, só em 2019. Como das outras vezes, trazendo o caos pra cidade.

De quem é a culpa? Ninguém esperava? Choveu demais! O que o prefeito pode fazer? Se os outros não fizeram, por que cobrar dele?

Pois é, o Rio sempre teve problemas com as tempestades, não é de agora. O Rio é uma cidade que cresce espremida entre colinas e mar, o que piora a situação. A mudança no clima da Terra torna a questão mais grave. E faltam milhares de moradias dignas e adequadas, falta saneamento, faltam lixeiras, caçambas e todos os dias, a toda hora, as pessoas produzem lixo, todas as pessoas, de todas as classes sociais, origens, idades, cor, sexo, religião.

Qualquer candidata ou candidato a gestor público sabe disso. Não dá pra dizer que é pego de surpresa, que não podia prever, adivinhar.  Mas, se não pode impedir os eventos radicais da natureza, o prefeito pode, sim, ajudar a preparar a cidade para enfrentar as emergências. Veja como.  

“Chuva atípica é a que cai de baixo para cima. O resto é trabalho não feito.” – Luiz Fernando Lobo, ator e diretor

“Realmente, nos cobramos muito pela falta de pessoal na Zona Sul. Estávamos esperando chegar reboque. Nas próximas chuvas em que tivermos previsão de grande precipitação em curto espaço de tempo, nós já teremos que ter esses equipamentos. Já era uma coisa que tínhamos visto anteriormente. Infelizmente, não fomos prudentes” – Marcelo Crivella, prefeito do Rio, em entrevista no dia 09/04.


Desgoverno Crivella

Drenagem zero

A limpeza de bueiros, bocas de lobo, fossas etc. é ponto-chave para evitar o alagamento das ruas e os vazamentos de esgotos e detritos. Há um lixo acumulado pela vida urbana – plantas, galhos, óleo de veículos, cabelos que voam, poeira, pelos e restos de animais -, que vão além do lixo humano. É preciso retirar.

Mas, em 2019, a Prefeitura não gastou único centavo na manutenção da drenagem urbana da cidade; os pouco mais de 8 milhões gastos com empreiteiras foram para pagar serviços realizados em 2018. De janeiro a abril, a Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma) não autorizou qualquer nova despesa.

Em 2016, os gastos realizados em serviços de drenagem foram de R$ 55,3 milhões.

Asfaltamento

Segundo o Portal da Transparência da própria Prefeitura,  os dois primeiros anos de Crivella foram marcados pela falta de investimentos em pavimentação e conservação dos logradouros. Entre 2017 e 2018, a média foi de gastos na área R$ 82 milhões, muito inferior à média investida entre 2013 e 2016, que foi de R$ 349,7 milhões, por ano. Ou seja, Crivella investiu 77% a menos do que o seu antecessor.

Lixo, caçambas e lixeiras

Coleta de lixo irregular e a visível falta de lixeiras e caçambas pela cidade, especialmente nas periferias e comunidades mais pobres, agravam o problema quando a chuva cai. Crivella terceirizou as equipes e muitos estão sem salários, mas se desdobram para atender as demandas. A culpa não é deles.

Contenção também a zero

Nos quatro primeiros meses do ano, a prefeitura, via Geo-Rio, também não investiu em obras de contenção de encostas/morros; só pagou despesas do ano passado.  Mas gastou muito pouco para uma questão de tamanha importância, que envolve vidas. Em 2018, tinha previsto investir R$ 278 milhões no programa “Proteção de encostas e áreas de risco geotécnico”, mas, desse valor, só usou R$ 42 milhões. Para 2019, a previsão é de R$ 71,7 milhões. Mas, até agora, nada

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, a Prefeitura do Rio tem ainda uma reserva de R$ 110,5 milhões, do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para obras de contenção, mas não usou a verba por falta de apresentação de projetos complementares de execução. O montante expira no próximo no dia 30 de junho. Sem contar os milhões que estão na Caixa e também não foram usados.

Bombeiros e funcionários da Defesa Civil do Rio de Janeiro avaliam estragos em deslizamento na avenida Niemeyer / Foto: Prefeitura do Rio de Janeiro

Controle de enchentes em queda

Marcelo Crivella recebeu o orçamento 2017 com R$ 188 milhões para o programa “Controle de enchentes”, mas só de fato R$ 22 milhões. E vem, ano a ano, reduzindo a importância desse programa no orçamento. Em 2018, a previsão era de R$ 115 milhões. E, para este ano de 2019, reservou apenas R$ 76,5 milhões para o programa. Ou seja, 59,3% a menos, comparando orçamento 2017 e 2019.

Educação ambiental

Somos parte do meio ambiente e precisamos respeitar as demais partes. Políticas públicas que promovam uma educação ampla, com ensino do uso consciente dos recursos naturais, também é um caminho de prevenção. A educação ambiental deveria fazer parte do ensino público, em um processo que precisa ir além de aprender a não jogar lixo no chão. Mas o poder público também tem que levar saneamento básico para todas as pessoas, promover uma coleta adequada de resíduos, manter e tratar equipamentos públicos das águas pluviais… enfim, gerar cidadania, com respeito às pessoas.


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