Guerra de quem?

A “guerra” do Rio, na verdade, traduz o fracasso de um estado omisso e cúmplice da situação

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A semana terminou com um triste recorde – no dia 18/08, a violência impediu o funcionamento de 55 escolas; quase 20 mil jovens e crianças ficaram sem aula, todos moradores das comunidades mais pobres do Rio.

Alguns chamam isso de “guerra”. Discordo.

Uma guerra obedece a regras mundiais que há muito não são respeitadas no Rio. O tribunal internacional de Genebra, na Suíça, onde são julgados os crimes de guerra, pune, por exemplo, o homicídio, a tortura ou o tratamento desumano a civis ou prisioneiros de guerra. Também proíbe o ataque indiscriminado contra a população civil, contra as pessoas que nada têm a ver com o conflito. Não é isso o que vemos por aqui, onde as balas perdidas ferem e matam.

A “guerra” do Rio, na verdade, traduz o fracasso de um estado omisso e cúmplice da situação. Tendo como alvo central o tráfico de drogas, essa política de segurança soma uma incrível quantidade de erros: faltam inteligência e planejamento; falta estratégia de combate ao comércio ilegal de armas e à entrada de drogas no estado; corrupção, e foco nas ações de enfrentamento do “varejo” do mercado de drogas nas favelas, com consequente criminalização das populações e dessas áreas.

Tratar a isso como guerra apenas encobre a intenção de legitimar qualquer excesso, punindo ainda mais a grande maioria dos moradores das favelas da cidade e do estado, que, hoje, vive encurralada entre a extrema violência do tráfico e a extrema violência policial, em uma “guerra” em que todos perdem, inclusive os policiais.

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