Por que o ódio aos pobres?

Reimont critica a política de segurança pública baseada no confronto e nos ataques às populações das favelas e periferia do Rio.

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O ato Vidas nas Favelas Importam, na última semana, foi um ato doloroso e muito forte. Os seguidos depoimentos de mães e familiares de pessoas vitimadas em nome do combate à violência e os relatos de moradores das favelas cariocas deixaram ainda mais evidente a sociedade partida e excludente em que vivemos.

Não é mais possível tolerar essa lógica, não é mais possível aceitar uma política de segurança que tem como foco o cerco às favelas e comunidades pobres, uma política que criminaliza a pobreza de maneira cada vez declarada.

O nosso mandato, desde o início, vem se colocando contra a intervenção militar no Rio de Janeiro, decretada pelo governo golpista. A intervenção, que não reduziu a criminalidade, apenas vem aprofundando a lógica de militarização da segurança pública. O resultado tem sido a intensificação da violência que atinge prioritariamente jovens, negros e moradores de favelas e periferias.

Até parece que pobreza é sinônimo de bandidagem. Mas não é.

Nas favelas e periferias, mora uma população composta, em sua imensa maioria, por gente honesta e trabalhadora, uma gente que movimenta a economia do país. Nas favelas e periferias, moram operários e operárias, pequenos comerciantes, carpinteiros, eletricistas, garis, estudantes, artistas, poetas… como em qualquer bairro ou cidade do país. Sim, moram também bandidos e bandidas, mas como em qualquer bairro ou cidade do país, inclusive nas chamadas áreas “nobres”.

O que justifica o ódio ao povo pobre? Por quê?

O ato de ontem colocou a sociedade diante desta pergunta.

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