Quem acredita na nota da Rio Ônibus?

Mais uma vez, na defesa dos seus lucros, o baronato dos ônibus pratica terrorismo empresarial, ameaçando a população com a paralisação dos serviços e os rodoviários com o desemprego

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QUEM ACREDITA NA NOTA DA RIO ÔNIBUS?

Mais uma vez, na defesa dos seus lucros, o baronato dos ônibus pratica terrorismo empresarial, ameaçando a população com a paralisação dos serviços e os rodoviários com o desemprego.

Eles têm dinheiro para grandes campanhas publicitárias, como a de agora, têm para a compra de parlamentares (segundo denúncia do MPF), mas não têm para melhorar a frota, para climatizar os ônibus e implantar condições dignas de trabalho para os seus profissionais e mais segurança nas viagens?

As empresas de ônibus não são perseguidas pelo poder público. Com as isenções fiscais municipais, deixaram de pagar R$ 71,7 milhões, em 2016, e R$ 75, 6 milhões, em 2017.

Não é verdade que há dois anos não há reajuste das tarifas. Em 01/01/2015, as passagens passaram de R$ 3,00 a R$ 3,40, um acréscimo de R$ 0,20 acima do reajuste de 6,23% contratual, com a justificativa de subsidiar a instalação de ar-condicionado nos ônibus e as gratuidades. Em 02/01/2016, houve novo reajuste, de 11,7%. O valor passou para R$ 3,80.

A Rio Ônibus reclama do que está previsto no contrato de concessão que as empresas assinaram, como a gratuidade. Está no compromisso que firmaram: aceitar as gratuidades e abatimentos de tarifa.

A bilhetagem eletrônica não abre a caixa-preta das empresas, não dá mais transparência e nem acaba com a sonegação. Muitos dos últimos escândalos envolvendo empresas de ônibus estão relacionados à venda de bilhetes eletrônicos.

Também não houve congelamento seguido de redução de tarifa. A redução determinada pela Justiça foi por conta dos reajustes indevidos ocorridos em 2015 e 2016.

Já que a Justiça considerou que o valor da passagem deve ser de R$3,40 (preço de 2015), cabe pensar que, nos vinte e três meses de 2016 e 17, as empresas faturaram a mais, por viagem, R$ 0,40, indevidamente. Mesmo aceitando a planilha incompleta da Rio Ônibus, são 4.800.000 viagens pagas, por dia. Façam os cálculos. Nesse período, as concessionárias colocaram em caixa, indevidamente, a quantia de R$ 1.324.800.000,00!

Ao contrário do que faz crer a nota, a obrigação de pagar a climatização dos ônibus é das empresas, segundo o Contrato de Concessão. Cabe à concessionária “promover o constante aperfeiçoamento técnico e operacional dos serviços, bem como a atualização e o desenvolvimento tecnológico das instalações, equipamentos e sistemas utilizados (…) e adequar as instalações, equipamentos e sistemas utilizados às necessidades do serviço.

É cada vez maior o número de pessoas que pagam com dinheiro. São os mais pobres, os milhares desempregados e os que moram mais longe dos poucos lugares que comercializam o RioCard – só 13 postos de venda para todos os 160 bairros do Rio, sendo apenas um na Zona Sul e três na Zona Oeste.

A RioÔnibus não atualiza os dados técnicos no seu “Portal de Transparência” desde 2016. As planilhas apresentadas são incompreensíveis e incoerentes até para os técnicos do TCU. Ora usam uma fórmula de reajuste pura, ora incluem a desoneração de PIS Confis e aumento do custo de mão de obra.

Não dá para o motorista atender, com SEGURANÇA, todas as demandas de uma viagem – cumprir tempo e cota de passageiros, receber dinheiro e dar o troco, liberar a catraca, conferir a identidade de quem tem direito à gratuidade e ainda não conseguiu o cartão, vigiar a porta traseira para ver se os passageiros desceram em segurança e se não entrou algum carona ou até um assaltante, auxiliar pessoas com dificuldades de embarcar, dar informação sobre o trajeto, prestar contas aos fiscais, sair do ônibus para manobrar o elevador de cadeirantes e, claro, dirigir.

Não dá pra dispensar o apoio de um segundo profissional dentro do veículo. Mesmo com a bilhetagem eletrônica, o cobrador ou o auxiliar de viagem tem que continuar.

Fim da dupla função SIM! Volta dos cobradores SIM!

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