Queremos Justiça pela moradora de rua assassinada em Copacabana

Fala em plenário sobre mais uma vítima da violência contra a população em situação de rua

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Senhor Presidente, senhores vereadores e vereadoras, eu tenho tentado fazer ressoar em todos os cantos que posso, e aqui neste Plenário não pode ser diferente, o que aconteceu ontem em Copacabana, na esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com Rua Duvivier, quando uma mulher em situação de rua foi assassinada, na manhã de ontem. O nome dela ainda está por ser confirmado. Há pessoas que a chamavam de Jessica, Fernanda, Jaqueline. Ainda não temos seu nome correto. Temos a sua fotografia. Tratava-se de uma mulher que, há muitos anos, convivia naquela região e que tinha o apreço de grande parte da população de Copacabana.

Ontem, por volta das seis horas, alguns moradores atestam que cumprimentaram essa mulher, que a viram no mesmo lugar de sempre. Mas, por volta de nove horas da manhã, ela foi encontrada morta, com um buraco no peito. Não se sabe ainda, estamos aguardando a autopsia, se foi um instrumento de perfuração ou um tiro. Essa mulher foi assassinada, ontem, em Copacabana. Eu queria lembrar que nós temos um histórico muito triste na Cidade do Rio de Janeiro. E por mais que alguns vereadores e vereadoras não me deem nesse momento a atenção que acho que o tema merece, eu continuarei fazendo a minha dissertação, porque compreendo que uma Casa Legislativa, em uma Cidade como o Rio de Janeiro, que conviveu na década de 60 do século passado com a morte de dezenas de homens e mulheres em situação de rua, que foram assassinados e jogados no Rio Guandu e no Rio da Guarda, na zona oeste, tem que se preocupar com isso.

Vivemos tempos de intolerância em que algumas pessoas consideram que o diferente tem que ser exterminado. Vivemos em tempos de intolerância, Vereadora Luciana Novaes, em que algumas pessoas compreendem que a população em situação de rua, mal cheirosa, incomoda a Cidade e precisa ser excluída das ruas. E não é incomum o que acontece no Brasil afora. Aqui no Rio de Janeiro – vou fazer uma dobradinha na minha fala agora entre Rio de Janeiro e São Paulo –, há poucos dias, poucos meses, ali, na marquise do Cine Roxy foi instalado um chuveirinho de água gelada para expulsar a população em situação de rua da calçada do cinema.

Em São Paulo, o Prefeito Doria mandou que a sua equipe de limpeza da cidade jogasse água gelada sobre a população em situação de rua, nas manhãs de inverno da cidade paulista. Aqui no Rio de Janeiro, há mais ou menos uns dois meses, alguns moradores do bairro de Ipanema saíram em cruzada pelas ruas para atear fogo sobre o colchão, a coberta e o papelão da população em situação de rua, assim que eles acordassem.

Aqui no Rio de Janeiro, há mais ou menos uns dois meses atrás, na Zona Sul também, havia um grupo de pessoas propagandeando que as pessoas não deveriam dar de comer à população em situação de rua porque, segundo relato no próprio Facebook, nas mídias sociais que nós temos conosco guardado como prova, à Comissão de Moradia desta Casa, dizia lá um internauta: “para que esse lixo saia da Zona Sul da Cidade do Rio de Janeiro”. Então, as pessoas que eram pegas dando uma contribuição, um alimento eram hostilizadas, isso aqui, no Rio de Janeiro.

É bom a gente lembrar também que, em 1997, o atual Secretário do Prefeito Marcelo Crivella, o Secretário mais poderoso do Crivella, que está na Secretaria, no meu entendimento, para fazer campanha para Governador do Estado no ano que vem, o Secretário Indio da Costa tinha um projeto de lei nesta Casa para que fosse proibido o gesto de pedir esmola e o gesto de dar esmola na Cidade do Rio de Janeiro. Esse projeto – apresentado na Cidade em 1997, nesta Câmara Municipal – não logrou êxito, não foi à frente. Mas é o atual Secretário do Prefeito Marcelo Crivella, o Secretário Índio da Costa, que mantinha esse projeto aqui na Casa, projeto esse que não foi aprovado, mas que tem os seus seguidores, há poucos meses, na Zona Sul, hostilizando as pessoas que colaboravam ou que alimentavam a população em situação de rua.

Fui a São Paulo essa semana, e o Prefeito Doria, em mais uma de suas atitudes nazifascistas, estabeleceu um projeto chamado “Ração Humana” que é a construção de pequenos biscoitos. Quem quiser ver, há vídeos na internet com o próprio Prefeito falando que se tratava de material de alimentação que seria jogado no lixo, ou que estaria com a sua data de validade vencida, ou a vencer nos próximos dias, que seriam triturados e preparados como o que foi apelidado de “ração humana”, para matar a fome da população em situação de rua. Isso é um desrespeito! Uma desumanidade daqueles que exploram os pobres!

Quero dizer que o nosso mandato encaminhou um ofício para o delegado Fábio Cardoso Júnior, da Delegacia de Homicídios da Capital. Nesse ofício, nós estamos pedindo ao delegado que não interrompa o processo investigativo e que dê ao caso dessa mulher morta em Copacabana, no dia de ontem, uma dimensão emblemática para fazer com que a morte dessa mulher não seja em vão, não fique no vazio! Porque uma vida se foi e uma vida não tem preço! Se a gente não investigar e não descobrir quem são os assassinos, o que a gente terá daqui a pouco será uma escalada de caça aos mais pobres, aos mais vulneráveis!

Encaminhamos também um ofício, Senhor Presidente – desculpe estar me alongando, mas já estou terminando –, a Reginaldo Franklin Pereira, diretor do Instituto Médico Legal do Centro da Cidade, ali na Leopoldina, pedindo a ele que tome todas as providências possíveis e que não permita que essa mulher seja sepultada como indigente! Que ele não diminua os esforços para, verdadeiramente, encontrar os familiares dessa mulher, identificar quem é essa mulher. Porque se assim não fizermos, nós estaremos dando guarida àqueles que acham que podem varrer das ruas de parte desta Cidade aquilo que os incomoda!

Há pessoas propagandeando por aí que a gente precisa, no Rio de Janeiro, de um xerife! De alguém que libere as armas e que promova a truculência! Nós precisamos é de mais amor! Precisamos de mais respeito à vida humana! Precisamos de mais respeito àqueles que tiveram a vida negada em suas possibilidades de estabelecerem uma relação com essa Cidade.

O nosso mandato encaminhou, ao Instituto Médico Legal e a Delegacia de Homicídios da Capital, esses dois ofícios porque a morte dessa senhora não poderá ficar em vão! Eu peço a cada vereador e a cada vereadora, comprometidos com os direitos humanos, que também se esforcem para exigir das autoridades que as investigações sejam feitas para encontrarmos o assassino dessa mulher! Se ela não tem família e quem lute por ela, este Parlamento tem a obrigação de fazer isso, senão terá as suas mãos também manchadas de sangue!

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  1. Infelizmente hoje 16 de novembro quase um mês depois da morte da andar Ilha, os acusados fizeram uma rebelião e fugiram da prisão um dia após serem presos. Eles passaram pelo mato disfarçados de garis e foram até o cemitério onde a vítima está enterrada. Eles violaram o tumulo e retiraram o corpo da moradora de rua. O estudante deu uma paulada na cabeça da mulher e o lutador aplicou um golpe mata leão nela. Depois os dois deram chutes e pontapés na cabeça e na barriga dela e depois abandonaram o corpo no meio da estrada e foram embora. Assim um carro passou por cima do corpo da andar Ilha que teve esmagamento no crânio e na face e ainda foi atacado e arrastado por dois cães das raças pitbull e hotweiller. A moradora teve ferimentos provocados pelo ataque dos cães, o abdômen perfurado, o fígado, o rim, o estômago e parte do intestino comprometidos e arrancados, sofreu traumatismo crânio encefálico, pioras e complicaçoes permanentes graves, pneumonia bacteriana e falência múltipla dos órgãos. A mãe da vítima sofreu um avô hemorrágico e está internada em estado crítico no Hospital. A família está abalada e lamenta mais uma situação que não deveria ter acontecido, que era para a mulher descansar em paz no mesmo lugar onde deveria estar e também pede justiça.

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