Carnaval é um direito

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O prefeito Marcelo Crivella sabia e sabe que o Bloco da Favorita atrai milhares de pessoas. Ao contratar o grupo para a apresentação na praia de Copacabana, no último domingo (12/01), ele tinha pleno conhecimento de que estava promovendo um mega-show, que deveria ser amparado por um planejamento adequado para garantir o escoamento do trânsito, a mobilidade das pessoas, a segurança da população. Ele sabia disso.

Sem tomar as medidas apropriadas, ele assumiu conscientemente o risco do caos que vimos tomar conta da Zona Sul, em um episódio que explodiu com uma inexplicável e violenta dispersão à base de cacetadas e bombas de gás e de pimenta. Ou seja, a mesma Prefeitura que convidou a população para a festa liderou o ataque com a ajuda da PM. Uma cidade que é capaz de promover a festa anual do réveillon na mesma Copacabana, que junta quase três milhões de pessoas, não tem desculpa para o que aconteceu. Foi deliberada falta de organização.

Para que o nosso Carnaval seja realizado de forma plena e planejada, em 2019, após seis meses de debates com a sociedade – associações de moradores, ligas de blocos, órgão públicos, Ministério Público – apresentei o projeto de lei do Marco Civil do Carnaval de Rua do Rio de Janeiro, cujo objetivo é garantir os festejos, considerando os direitos tanto dos foliões como dos não-foliões. O projeto, infelizmente, ainda não foi aprovado devido a manobras da bancada de apoio ao prefeito. Está claro que ele não quer dialogar com quem constrói o Carnaval de rua, como hoje insinuam as manchetes dos noticiários.

A manifestação popular não se abafa, ninguém consegue calar. Os sete milhões de foliões e foliãs, que anualmente vão às ruas brincar, cantar e dançar o Carnaval, continuarão nas ruas, na resistência cultural. O Rio de Janeiro é muito maior do que a gestão Crivella. Viva o Carnaval carioca!

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