Coronavírus mostra importância do SUS

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“Na ânsia de angariar a simpatia do presidente, em apoio a sua reeleição, o prefeito Marcelo Crivella repete o modelo e ofende a população, especialmente a mais empobrecida”

No início da semana, quando a crise do novo coronavírus (Covid-19) ainda começava a tomar corpo no país e em nosso município, dei entrada na Câmara Municipal do Rio a um pedido de criação de uma Comissão Especial de Fiscalização do Plano Municipal de Ação contra o Coranavírus, que foi aprovada nesta quinta-feira, 12/03. Ao mesmo tempo, já preparava um requerimento de informações à Secretaria Municipal de Saúde e à Prefeitura sobre o Plano Municipal de Combate ao Covid-19, incluindo questões sobre a estrutura de atenção básica na Saúde, a preparação da rede pública municipal hospitalar e eventual aumento no Orçamento da Saúde.

Parecia claro que a pandemia mundial chegaria ao Brasil, como está acontecendo, quando ultrapassamos a barreira dos 50 casos, um indicativo mundial de que a contaminação ganhará ritmo acelerado. Nesta quinta-feira, o ministério da Saúde anuncia 73 casos confirmados e 907 casos suspeitos; entre os confirmados, está o secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, e, entre as pessoas em observação, está o próprio presidente Jair Bolsonaro, que há poucos dias chamou a epidemia de “fantasia”.

Os números podem parecer pequenos, frente a uma população de cerca de 210 milhões de pessoas, mas demonstram que a crise do coronavírus, no Brasil, atingiu o estágio de avanço exponencialmente. Segundo previsão do Ministério da Saúde, o país poderá chegar a mais de quatro mil casos, nos próximos 15 dias, e a cerca de 30 mil casos, em 21 dias.

A projeção é feita com base na evolução da epidemia na China, Coreia do Sul, Irã, Itália, Alemanha e Espanha, a partir do 50º caso. O padrão indica que o crescimento diário salta para 37%, equivalente a um aumento de dez vezes de casos, a cada semana. Nesse cenário, o país poderá demandar cerca de 2,1 mil leitos hospitalares, dos quais cerca de 525 em UTI, apenas nos próximos 21 dias. Segundo o ministro Luiz Henrique Mandetta, o Brasil viverá cerca de 20 semanas ‘duras’ por causa do surto.

No nosso estado, o município do Rio de Janeiro é o que tem o maior número de casos; nesta quinta-feira, somava 15 casos confirmados e 48 suspeitos, além de registrar o primeiro caso de transmissão local (os pacientes são um homem de 72 anos e sua esposa, de 68). Para a Secretaria Estadual de Saúde, o Rio terá epidemia de coronavírus em quatro semanas. Por causa da transmissão local da doença, a capital já entrou no nível 1 do plano de contingência.

O momento é preocupante, mas não é para entrar em pânico e nem para correrias a hospitais, laboratórios clínicos, farmácias. É hora de tomar cuidados. É hora de cobrar das autoridades os planos de enfrentamento e superação da epidemia e de exigir a recuperação e o fortalecimento da saúde pública.

Sem dúvida, a medida mais eficaz para enfrentar a combater a epidemia é investir na Saúde Pública, é fortalecer o SUS, como agora reconhece o próprio ministro da Saúde, um dos responsáveis pelos cortes de verbas e programas que, no passado recente, ceifaram a área. Hoje, a crise está ensinando que todas as medidas de combate ao problema estão amparadas em projetos, pesquisas e esforços da estrutura pública de saúde.

O ministro também vem destacando a importância estratégica das unidades de atenção básica à saúde, recomendando a ampliação dos postos de saúde com horário estendido como medida essencial para evitar uma corrida injustificável e até prejudicial aos hospitais.

No Rio, a recuperação dessa estrutura pública municipal de atenção básica é urgente; em fevereiro deste ano, no rastro de resoluções do governo federal, o prefeito Marcelo Crivella dispensou e anunciou que não recontrataria ou reporia os 5 mil profissionais do NASF/ Núcleo Ampliado de Saúde da Família, justamente o segmento que reunia o pessoal da atenção básica. Diversas UPAs ficaram até sem médicos, abandonando a própria sorte milhões de pessoas, principalmente as populações empobrecidas, sempre as mais vulneráveis em quaisquer crises. E agora, como Crivella vai atuar?

Acredito que, com as escolhas e decisões acertadas, o Rio e o Brasil poderão enfrentar e superar a crise provocada pela pandemia mundial do coronavírus. A solução, com certeza, está na Saúde pública e gratuita, que acolha, atenda e trate de todas as pessoas, sem distinções. A solução é o SUS.

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